sexta-feira, 28 de março de 2008

Provação e Resolução








“Lembrem como o nosso Deus guiou vocês pelo deserto esses quarenta anos. Durante essa longa caminhada, Deus os humilhou e os pôs à prova para saber se estavam resolvidos ou não a obedecer aos seus mandamentos”. Deuteronômio 8.2.

PROVAÇÃO E RESOLUÇÃO.

Um certo cristão disse que, à medida que os anos vão passando, mais ele se convence de que as duas grandes dádivas que Deus nos deu são a memória e a esperança. A Bíblia faz várias referências a esses dons de Seu amor.
No seu discurso de despedida aos filhos de Israel, Moisés disse: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus te guiou”. Notemos: “guiou”, e não “compeliu”; “Deus”, e não “Moisés”.
A esperança é uma das possessões mais ricas do cristianismo. Naturalmente que nenhuma pessoa vive sem esperança, seja ela qual for, pois, sem ela nós apenas passaríamos pela existência. Um cristão é aquele que “nasceu de novo por intermédio de uma esperança viva através da ressurreição”. Não nos surpreende encontrar no Novo Testamento, que Deus é citado como o “Deus da esperança” (Romanos 15.13).
A esperança que temos em Cristo é a “... esperança da qual emana um raio brilhante, Bem distante, no caminho amplo do futuro”.
Que esperança nós temos em Jesus!

I) PROVAÇÃO E RESOLUÇÃO SÃO COISAS QUE MARCAM NOSSA MEMÓRIA.
“Lembrem como o nosso Deus guiou vocês...” Os eventos mais marcantes de nossas vidas são aqueles que nos emocionaram bastante, o casamento, o nascimento de um filho, ou mesmo aqueles que nos traumatizaram muito ou levemente. Foi extremamente marcante para os filhos de Israel que estivessem passando por uma longa peregrinação, após haverem sido libertados gloriosamente dos domínios da escravidão. Porém, a caminhada em que passaram a vida (quarenta anos) foi mais ainda didática porque, através delas os corações daquela gente seriam despidos de suas vaidades e egocentrismos.
Como povo de Deus, aquelas milhares de pessoas precisavam ser profundamente convictas de que seu comportamento deveria ser de um constante compromisso com os planos de Seu Deus. Não deveria haver em sua cultura e nem em seus pensamentos qualquer resquício de fundamentos pagãos. Suas vidas familiares, pessoais e comunitárias deveriam transmitir completamente a realidade de sua vocação de povo de IAHWEH.
Nesse sentido, eles deviam ser decididos a obedecer e seguir os princípios, as leis e os mandamentos vindos de Deus para O glorificarem. Isto se enquadra no ensino da Confissão de Fé, pergunta 91: Qual é o dever que Deus requer do homem?
Resposta: O dever que Deus requer do homem é obediência à sua vontade revelada.
Dt. 29:29: As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus; porém, as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.
1 Sm. 15.22: Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocausto e
sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender do que a gordura de carneiros.”
Aqui podemos identificar que o Pacto entre Deus e seu povo, os colocava na condição de obediência. Isto indica que como nação eles precisavam ser diferentes nas práticas, especialmente ligadas ao Culto.

II) PROVAÇÃO E RESOLUÇÃO DEMONSTRAM UM DEUS INTERESSADO NO SER HUMANO.
IAHWEH está aqui presente demonstrando que:
1. Nos guia. Ao guiar, Deus deseja nos guardar dos caminhos obscuros e nocivos do pecado. Por isso nos dá Sua direção. Mas, ao nos guiar também Deus demonstra à humanidade os Seus propósitos soberanos em salvar e colocar nos caminhos de Sua vontade os Seus eleitos. Para isto se tornar completo, Deus concede aos eleitos o Seu Espírito Santo. O Senhor Jesus nos informou claramente que o Espírito nos guiaria em toda a verdade.
2. Nos humilha. Quando Deus nos humilha é como se estivesse dando um tratamento de choque à nossa mentalidade teimosa e concupiscente. Não é um ato de maldade, mas sim de quebrantamento estrutural interior. Não é um ato de uma divindade maquiavélica mas, sim, uma correção providencial para evitar que a humanidade cresça em seus desatinos.
3. Nos põe à prova. Ao nos por à prova, somos como que experimentados. A prova deve servir para consolidar a nossa decisão em obedecer. É óbvio que nem sempre passamos na prova. Mas há talvez a chance de outras provas de recuperação surgirem. Todavia, não devemos contar somente com as provações para nos acertarmos e sim nos conformarmos com a verdade divina e nos dispormos a obedecê-la.
4. Nos deu Seus mandamentos. Os mandamentos de Deus, antes de serem para nos mostrarem porquê somos humilhados e provados, servem para nos preservar do mal. As nossas decisões podem nos levar ao fracasso ou ruína espirituais. Os mandamentos são diretrizes claras e básicas sobre como podemos evitar estes fracassos espirituais e até ruínas.
Por exemplo: Alguém pode achar que não tem problema faltar às reuniões para ficar em casa descansando no Domingo ou assistindo a um jogo na TV. A maneira como esta pessoa vê as reuniões da Igreja vai se tornando cada vez mais relativa, não absoluta e não essencial. Dali alguns meses, o coração desta pessoa terá perdido toda a obediência ao mandamento que ainda lhe restava. Não conseguirá mais ir à igreja. Se sentirá errada no íntimo, mas a rebeldia se instalou e ela precisará de um tratamento de choque antes que Satanás domine a ela e à sua família por completo. Se ela tivesse sempre reacendido esta obediência em si teria evitado a queda.
Deus promete conduzir o Seu povo para uma vida de suprimentos e equilíbrio, porém, relembra experiências passadas que serviram para nos provar.

III) PROVAÇÃO E RESOLUÇÃO FAZEM PARTE DA LONGA CAMINHADA DA VIDA.
Embora o Salmo 90 nos fale de brevidade da nossa vida, por outro lado, ela é longa se pensarmos nela como uma caminhada. É uma caminhada de onde pode se colher inúmeros ensinamentos e se observar tremendas e profundas experiências. Porém para outros pode parecer uma estrada penosa ou até mesmo monótona e entediante.
Mas se pensarmos bem, a vida é como uma caminhada através do tempo. Nós temos, durante a vida, o tempo a ser bem aproveitado ou desperdiçado. E isto é um fato que muitos não levam a sério.
Por isso, me vem à mente o conselho firme e correto de Paulo em Efésios 5: 14-17:
“Portanto, prestem atenção na sua maneira de viver. Não vivam como os ignorantes, mas
como sábios. Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm.
Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor quer que vocês façam.”
Por exemplo, uma pessoa pode passar a vida toda freqüentando o barzinho da esquina e jogando e ao se casar, passar as horas que poderia gozar com os filhos e esposa ensinando ou cultuando domesticamente, no mesmo estilo de vida. Esquece-se assim de assumir os outros papéis de sua vida de pai, esposo, ministro e servo missionário. Ficou com o papel de viver como “os ignorantes”.
A parábola dos talentos contada pelo nosso Senhor ilustra bem essa realidade. A longa caminhada da vida deve ser percorrida com bons investimentos. É preciso negociar com pouco ou com o razoável que recebermos. O problema é às vezes achamos que o temos é muito pouco e julgamos que o que os outros têm é que é o melhor. Isto é o mesmo que pensar como “pessoas sem juízos”.
Aconselho a prestarmos atenção na nossa maneira de viver. E investirmos em bons livros de direcionamento espiritual. Gosto de ver como crescem aqueles irmãos que anotam as palestras para ficarem relembrando depois. Percebo como crescem os que gostam de ler livros de irmãos sábios que têm aprendido dos ricos depósitos da sabedoria de Deus. Você nunca perde tempo quando está estudando.
Por outro lado, vejo nas ruas pessoas que estão trabalhando atrás de um balcão, cujo departamento, passa por uma hora ou mais sem nenhum cliente. E, o que fazem estas pessoas? Ficam assentadas olhando as moscas. Não poderiam ler um bom livro? Ou mesmo interceder pela sua igreja, cidade, transeuntes?
Se a vida tem seus momentos que parecem ser entediantes ou desérticos, não deveríamos tirar alguma lição durante esta longa caminhada? São estes momentos que nos testam quanto à nossa resolução. Confira o texto dizendo: “os pôs à prova para saber se estavam resolvidos ou não a obedecer aos seus mandamentos.” A obediência testada e aprendida nestes vales de lágrimas tornam-nos abençoados em seguida. É o que podemos ver no Salmo 84:5,6:
“Felizes são aqueles que de ti recebem forças e que desejam andar pelas estradas que
levam ao monte Sião!
Quando eles passam pelo Vale de Lágrimas, ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras chuvas o cobrem de bênçãos.”

Quando premidos pelas dificuldades somos obrigados a enfrentar resoluções aprendemos que não podemos mais simplesmente fugir quando achamos conveniente. Não há como fugir no deserto e voltar atrás significa morte também. Porém, a resolução de confiar e trabalhar em obediência ao mandato divino que nos é dado, transformará o vale de lágrimas em Oásis.

IV) A VACILAÇÃO E DESOBEDIÊNCIA SÃO NOSSOS OBSTÁCULOS.
Se mesmo nossa vida atribulada pode se tornar fértil ao nos tornarmos resolvidos a obedecer, é necessário então que venhamos a evitar nossa tendência a fugas e desistências.
Diz a história que Cortês ao chegar ao México e desembarcar com suas tropas, mandou queimar os navios. Estes eram sua única maneira de voltar para a Europa. Porém, queimando-os Cortês eliminou a possibilidade de desistência e até mesmo a tentação de desistir.
Desistimos de projetos dados por Deus por causa de nossa falta de resolução em obedecê-lo. Não descartando a soberania divina, porém, quero aqui chamar a atenção para a nossa possível mentalidade de nos auto-enganarmos, fugindo de nossas missões ou ministrações encostando-nos na velha frase: “Deus quis assim...” ou mesmo, colocarmos a culpa no destino, por nossa falta de determinação em obedecer a Deus naquilo para o que fomos criados.
Esta sutileza confortável seca nossa sabedoria ou o exercício da mesma. Se não, veja a observação de Tiago em 1:6-7:
“Porém peçam com fé e não duvidem de modo nenhum, pois quem duvida é como as ondas do mar, que o vento leva de um lado para o outro.
Quem é assim não pense que vai receber alguma coisa do Senhor, pois não tem firmeza e nunca sabe o que deve fazer.”
Certas crenças e valores que ainda cultivamos podem se tornar nossas vias de fugas.
Assim, nossa vacilação tem constante permissão para nos mimar a consciência para não lutar e nos dedicarmos àquilo que é importante de fato.

V) PROVAÇÃO E RESOLUÇÃO DEVEM GERAR UM ESTILO DE VIDA
Esse estilo de vida resoluto tem que ser reavivado a cada passo de nosso crescimento espiritual. A meta, por exemplo, de se tornar um discipulador deve ser algo presente a médio e curto prazo diante dos olhos de quem se converte. É claro que isto é uma cultura de formação espiritual que a igreja deve enraizar em todos. O membro comungante deve ter a meta de se tornar um ganhador de almas ou um “ministro” na casa de Deus ajudando outros irmãos ou neófitos. Os ganhadores de almas devem desejar se tornar líderes de pequenos de grupos e discipulado. E, se sentirem o chamado para tal devem procurar a meta de se tornarem supervisores de dois a três grupos e assim por diante.
Todos os crentes na Igreja devem aprender a ter um estilo de vida resoluto que não se arrefece diante das provas. Pelo contrário, as provações devem servir para sermos mais ainda freqüentes na Igreja. É na Igreja que iremos exercitar o que descobriremos nas provações de nossa fé.
Como faremos isto? Mantendo nosso foco na Palavra lida e ouvida. Analisando as lições que a nossa provação ensina. Estando freqüentes em nosso grupo para vermos se ali surgirão pessoas que estejam passando pela mesma dificuldade. Ou até mesmo, formando um grupo de interesse com pessoas que estejam com as mesmas experiências difíceis e precisam se tornar resolutas.
Um projeto deste tipo é barato. Reuniões ou encontros não custam muito. Quando muito, haverão talvez gastos com material didático ou viagens do grupo para confraternizações e outras atividades de lazer ou missionárias juntos.
Precisamos buscar este estilo de vida porque é ordem ou ensino de textos como este. O servo de Deus não pode ficar atolado na caverna. Deus disse a Elias que saísse da caverna. Penso que isto tem um bom significado. Elias estava decepcionado e deprimido. A caverna representava isto. Quando nós, mesmo tendo altas experiências cristãs, ficamos caídos, a palavra continua para nós, a mesma: “Saia da caverna Elias, e volte para a cidade...vá ungir as pessoas que devem continuar o seu ministério...”(1Reis 19.11-16).
Nosso estilo de vida resoluto significa que temos uma missão transferível. Devemos nos preparar para prepararmos outros. Veja quantas vezes Deus repetiu para Elias: “unja... unja... unja...”.
O treinamento é uma importância suma no Reino dos Céus. Se estivermos discipulando e treinando outros isto quer dizer que estamos agindo resolutamente. Nos tornaremos mais satisfeitos ao percebermos quantas pessoas passaram por nossa vida e se tornaram frutíferas. É uma glória para o ser humano servir a Deus desta forma: ajudando outros se tornarem servos eficientes também. Pessoas simples têm sido elevadas a profundos líderes na Igreja porque se tornaram resolutas após suas provações.
Os obstáculos contra este estilo de vida são:
a) Comodismo. Pessoas deixam de se tornarem resolutas porque é mais fácil se esconderem no “deixa pra lá, não é pra mim esta palavra”.
b) Preguiça. Há aqueles que não gostam e não fazem por gostar de obedecer ao chamado do Espírito para serem resolutos. Preferem ficar dormindo ou divagando sem fazer nada de suas vidas aqui na terra.
c) Irresponsabilidade. A velha desculpa de Caim: “por acaso sou eu o guarda do meu irmão?”, é parafraseada assim: “por acaso, eu que tenho que resolver este problema?”
d) Falta de amor. Chegamos a menosprezar os outros ao deixarmos de sermos resolutos para passar-lhes o que temos aprendido em nossas provações.
e) Alienação. Freqüentamos culto após culto e não tomamos atitude, é como se estivéssemos dormindo e a Palavra lida ou pregada já não estivesse mais fazendo efeito em nosso sono distante. Sonhamos com as coisas do mundo, mas estamos longe dos sonhos de DEUS.
f) Medo. O medo precisa ser tratado, pois é uma prisão que nos enfurna na caverna do desvio da fé. Em vez de medo procuremos ter fé no amor do Pai e venceremos tornando-nos mais resolutos.
g) Sentimento de desvalor. No fundo de muitos que não participam de um estilo de vida resoluto está a fortaleza do desvalor, eles acreditam que não têm capacidade nenhuma para abraçar este estilo de vida decidido, obreiro, dinâmico no Espírito e no Reino.
h) Insubmissão. A rebeldia já se comprovou ser uma das maiores causas de pessoas caídas no caminho. Por causa dela, o caminho da resolução fiel fica mais e mais distante de ser recuperado.

A solução para estes obstáculos é aceitarmos o tratamento divino para nossas almas e corações.
Precisamos descobrir os sofismas que tem desviado nossos pensamentos. Precisamos buscar ao Espírito para conduzir-nos a uma modificação de valores egoístas para os valores do Reino de Cristo. Carecemos de identificar que tipo de fortaleza está em nosso coração resistindo ao estilo de vida resoluto.
Todas estas soluções estão declaradas em 2 Coríntios 10: 4-5:
“As armas que usamos na nossa luta não são do mundo; são armas poderosas de Deus,
capazes de destruir fortalezas. E assim destruímos idéias falsas e também todo orgulho humano
que não deixa que as pessoas conheçam a Deus. Dominamos todo pensamento humano e fazemos com que ele obedeça a Cristo.”

Você está convencido que a sua provação o leva a uma resolução? O quanto você tem obedecido a Deus? Qual tipo de obstáculo o tem impedido?









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